Uma das características de quem escreve um filme histórico é o gosto pela pesquisa. Com isso acabamos acumulando um conjunto de informações que devem ser bem dosadas para não ultrapassar o limite de uma rubrica de roteiro e, paradoxalmente, acabar atrapalhando a visualização de uma cena. Meu primeiro mestre de roteiro Hugo Moss me disse certa vez que uma descrição enxuta permite ao leitor recorrer à sua própria imaginação para preencher a cena. E consequentemente se envolver/emocionar mais. Confesso que nem sempre resisto à tentação de já colocar no roteiro elementos descritivos que poderão significar referências importantes para o leitor e também para a direção de arte. Talvez seja um vício de roteirista diretor e produtor. Talvez seja uma forma de ajudar a construir uma ambiência da época. Verdade é que eu e Pilar somos capazes de ficar horas discutindo (para o compreensível desespero do Newton) se escrevemos ânfora, bilha ou vaso. Por isso o roteiro das órfãs (gosto de chamar este roteiro carinhosamente assim) é recheado de detalhes.
Elza
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