Este blog é um espaço de reflexão sobre o processo de criação do roteiro cinematográfico. Se você se sente, assim como eu, um aprendiz de roteirista está convidado a compartilhar aqui suas descobertas e dúvidas.
No momento estou retomando o roteiro “As Órfãs da Rainha”, agora junto com Newton Cannito (ele, sim, o mestre). Trata-se de um filme histórico sobre a Inquisição no Brasil, no final do século XVI. Na verdade, o filme pretende abordar a questão da intolerância. Neste caso, aquela dirigida aos primeiros judeus que vieram para cá: os chamados cristãos-novos.
Um filme histórico coloca um desafio a mais para a escrita do roteiro, pois exige o conhecimento do contexto abordado. Por outro lado, é grande a chance de nos sentirmos perdidos diante de um conjunto enorme de dados históricos e personagens da época. Sou daquelas obsessivas que sempre acham que precisam ler mais, estudar mais, pesquisar mais. Depois de organizar quase setecentas páginas do meu mergulho no século XVI, estou contando com a competência do Newton para me guiar, ou melhor, me salvar neste emaranhado de informações. A dificuldade maior é sempre como contar a história, como estruturar a narrativa e como tornar os personagens pessoas de carne e osso. Difícil tarefa que recomeça todos os dias quando conseguimos vencer a nós mesmos e escrever. Pois não existe melhor conselho do que o de Tchékhov para Górki, no momento em que este estava escrevendo sua primeira peça, Os pequenos burgueses: “Escreva, escreva, simplesmente escreva (…) eu lhe peço, não perca tempo, não deixe a inspiração se dissipar”.
Elza Cataldo
Trabalhar no roteiro de um filme, penso eu, ser muito complicado.Temos muitos dados, muitas coisas que rodeiam a história central do que se quer falar.
Estava numa aula com o preparador de elenco Sérgio Penna e ele disse que em Bicho de Sete Cabeças tiveram várias cenas gravadas e disse que eram cenas muito boas mas que foram cortadas para que a idéia central não se disprendesse do olhar do diretor e também do olhar do público.
Mas concordo plenamente que é preciso escrever, escrever e escrever, burilar, burilar e burilar para que se possa chegar com idéias dentro das pesquisas colhidas.
Depois, na edição, é ver se o que foi escrito condiz com o que se tem de imagem.
É por isso que eu acho um pouco complicado, são as escolhas das decisões pois um filme tem não pode durar a vida toda e às vezes temos roteiro para horas de filme gravado.
adorei o site e o blog, Elza.
Concordo mesmo que o negócio é escrever e não olhar prá trás. Se a gente pára um pouquinho para pensar no que está fazendo, a auto-crítica joga tudo por terra. O negócio é burilar depois que temos um enredo minimamente costurado. E para mim, a parte mais difícil é exatamente a de criar esse enredo alinhavado.
Boa sorte para nós.
Bjim e inté
sua pupila
Parabéns, Elza! O amadurecimento na arte do roteiro depende mesmo de muita troca com outros que neste lugar se colocaram. Gostaria de te dar os parabéns pela iniciativa e dizer que participarei com comentários sempre que houver uma questão em pauta. Sou professor de roteiro em BH e admirador do trabalho do seu colega Cannito. Te desejo muita sorte no projeto. Esperarei por questões mais objetivas para poder contribuir.
Abraços,
Sanzio
Modestamente Carone eu penso como Tchéchov, embora o que para ele é inspiração para mim é pré-produção criativa. Mas, vá lá, a inspiração não vem do nada, não é um dom, um poder mágico. Tem a ver com todo o tipo de conhecimento (pesquisa) e experiência que a gente acumulou até o instante que se pôs a escrever. Nesse primeiro momento, o da inspiração ou da pré-produção criativa, a auto-crítica tem de ser acorrentada no pé da Jaboticabeira pra darmos vazão a nossas loucuras lúcidas. Depois pode soltar que ela volta correndo e gruda no cocuruto. Eu tenho as minhas dúvidas sobre o burilar demais. Eu gosto de certa sujeira, certas arestas, imperfeições “esquecidas” num filme, mesmo os de época, desde que isso não passe por falta de informação. Também acho que não se deve confundir figurino com fantasia de Carnaval, o que, evidentemente, não é o caso da Elza. O figurino de Vinho de rosas é impecável. Eu também adorei o blog, Elza. Espero que você esteja se divewrtindo com o Canitto.
Um beijo,
Marcus
muito interessante esse blog,
as pessoas as vezes me acham uma louca,porque eu penso tanto e nem sempre consigo expressar as idéias que caíram na minha cachola…
para um roteirista escrever bem um roteiro,é por necessidade principal estar só e ao mesmo tempo com todo mundo…daí saem grandes e incriveis histórias…
abraços e fique com Deus,pois ele é a inspiração de toda obra cinematográfica…
fui!
maisa
OLÁ, ELZA!
ESTOU UM POUCO PERDIDO, COM COISAS PARA DIZER, OU MELHOR, ESCREVER.
ENTRETANTO, NÃO ENCONTRO EM MIM UMA FORMA DE ESVAZIAMENTO, AS IDÉIAS FICAM PRESAS. TALVEZ FALTE CORAGEM, CORAGEM DE CONSTATAR QUE NO PAPEL, OU NO MONITOR; AS IDÉIAS NÃO SEJAM TÃO FANTÁSTICAS. VAGANDO PELO GOOGLE, ENCONTREI VOCÊ E, EMBORA NÃO ACREDITE QUE OS ROTEIROS DE CINEMA SEJAM “A MINHA PRAIA”, SE É QUE TENHO ALGUMA, RESOLVI ESCREVER , ESCREVER ALGO, E RESOLVI COMEÇAR ESCREVENDO ESSE BILHETINHO PARA VOCÊ. OBRIGADO POR ESSA INICIATIVA, SORTE TER TE ENCONTRADO, ME SINTO MAIS ANIMADO A TENTAR AS PRIMEIRAS LINHAS.
ABRAÇO, DO SEU AMIGO SEM ROSTO, SEM BRAÇOS.
ÉRICO JULIANO
Olá, gostaria de dar meus parábens pelo belo filme que acabei de assistir no Canal Brasil, não tinha conhecimento deste belo trabalhado da Elza. Sou professor de História e pesquisador na Puc, estou disposto a contribuir voluntáriamente no que for necessário ao seu novo trabalho que sem dúvida pode se tornar uma obra prima no cinema nacional, assim como o Vinho de ROsas.. Parábens…
Bom, eu também tô às voltas com um “filme histórico” que se passa no Quilombo dos Palmares. Calma, não é nenhuma outra apologia aferrada a Zumbi, aliás ele é quase um coadjuvante. A diferença é que será em ANIMAÇÃO, o que muito me instiga. Tô também nessa batalha da pesquisa que por enquanto é pura leitura. Neste momento tô lendo a história de Maurício de Nassau que fala de uma Recife (e de um Brasil) tão interessante que dá vontade de puxar um pouco o período histórico do filme pro período holandês mais no auge (em princípio a história começaria logo na derrota holandesa pros portugueses). E também vamos falar muito da África, na introdução e por meio de flash backs de nosso protagonista. Vamos contar com historiadores na pesquisa pra gente poder soltar a franga da imaginação (pra falar de cotidiano é necessária uma boa dose de imaginação) e deixar pra eles o trabalho de cuidar da nossa auto-crítica nesse primeiro momento. Bom pra eles que vão ficar ao pé da jaboticabeira.
Uma questão que me cerca é: como criar soluções de roteiro para animação – sem ter que ser necessariamente dentro da linha realista -num filme histórico. Tá bem aqui, no cocoruco.
Olá Elza, sou presidente da ONG World Of Mindball entidade que trabalha na criação e desenvolvimento de projetos sociais com foco ao jovem adolescente carente e seus familiares. A entidade completou 25 anos de atividades com o PROGRAMA MINDBALL PARI PASSU que estabelece a realização de uma Super Gincana Mundial de Mindball Pari Passu que foi formatado para ser realizado no intervalo de 4 em 4 anos. Nossa primeira Super Gincana deverá acontecer no ano de 2010, estamos correndo atrás das políticas publicas e dos editais de incentivo a cultura e o esporte. A Super Gincana foi idealizada para atender 40 mil jovens e será realizada em 8 cidades de Minas Gerais com a participação dos jovens e seus familiares nos Pontos de Culturas, na verdade estaremos trabalhando com uma Rede de Pontos de Culturas( Total de
para cada cidade(Literatura, Xadrezvivo, Teatro TX, Festival de Cinema e Trilha sonora( O festival estabelece a realização de 8 Curtas que são parte do Longa Metragem do Roteiro CAVALHEIRO DE CRISTAL & O OITAVO ÍNDIGO, Documentário sobre as Cidades dos Presidentes, Livro Vermelho & Mesanet com Recall de Texto & Conteúdo, Mindball BR e Mindball Of. Table. Mas, o motivo de participar do seu Blog passa no primeiro momento pela admiração sobre a sua pessoa e no segundo momento o desejo de aprender e receber dicas para o Roteiro que idealizei para ser referencia da Super Gincana. Estou falando do roteiro Cavalheiro de Crystal & O oitavo Índigo. Nunca fiz nada e jamais esperava ter que escrever roteiros, mas a causa e nobre. Acabei fazendo um roteiro muito louco que tem a Bioética como tema principal e Bill Gates no papel de Cavalheiro de Crystal ao lado de um jovem brasileiro que foi queimado vivo em uma frente de trabalho de Mão de obra escrava(carvoaria). Já chegamos até a cidade de Boston e formalizamos o convite ao Diretor Roberto Carminatti, diretor do filme A FRONTEIRA e entregamos também o convite a Biil Gates e estamos aguardando resposta. Na oportunidade gostaríamos de receber o seu apoio.
Muito obrigado
Good Mind