Este blog é um espaço de reflexão sobre o processo de criação do roteiro cinematográfico. Se você se sente, assim como eu, um aprendiz de roteirista está convidado a compartilhar aqui suas descobertas e dúvidas.
No momento estou retomando o roteiro “As Órfãs da Rainha”, agora junto com Newton Cannito (ele, sim, o mestre). Trata-se de um filme histórico sobre a Inquisição no Brasil, no final do século XVI. Na verdade, o filme pretende abordar a questão da intolerância. Neste caso, aquela dirigida aos primeiros judeus que vieram para cá: os chamados cristãos-novos.
Um filme histórico coloca um desafio a mais para a escrita do roteiro, pois exige o conhecimento do contexto abordado. Por outro lado, é grande a chance de nos sentirmos perdidos diante de um conjunto enorme de dados históricos e personagens da época. Sou daquelas obsessivas que sempre acham que precisam ler mais, estudar mais, pesquisar mais. Depois de organizar quase setecentas páginas do meu mergulho no século XVI, estou contando com a competência do Newton para me guiar, ou melhor, me salvar neste emaranhado de informações. A dificuldade maior é sempre como contar a história, como estruturar a narrativa e como tornar os personagens pessoas de carne e osso. Difícil tarefa que recomeça todos os dias quando conseguimos vencer a nós mesmos e escrever. Pois não existe melhor conselho do que o de Tchékhov para Górki, no momento em que este estava escrevendo sua primeira peça, Os pequenos burgueses: “Escreva, escreva, simplesmente escreva (…) eu lhe peço, não perca tempo, não deixe a inspiração se dissipar”.
Elza Cataldo
